Os três pilares de atuação da Ashoka
Para concretizar sua missão, a Ashoka estrutura a sua atuação mundial na interação de três pilares: o empreendedorismo dos líderes sociais, o empreendedorismo de grupo e o apoio à infra-estrutura do setor social. Três folhinhas?
1. Empreendedores sociais, suas idéias e instituições
A Ashoka identifica e investe em empreendedores sociais - indivíduos com idéias criativas e inovadoras capazes de provocar transformações com amplo impacto social -, apoiando não só o indivíduo, como também sua idéia e a instituição em que atua durante as fases de seu desenvolvimento.
Para a Ashoka, proporcionar aos empreendedores sociais do mundo a liberdade e o apoio que precisam para suas conquistas é o investimento de maior impacto que uma organização pode fazer.
Para isso, dentro dos seus programas a Ashoka busca:
• Identificar e investir no indivíduo, estimulando o lançamento de suas idéias, sua constante inovação e competência durante toda a sua carreira;
• Integrá-lo a uma Rede Local Global de Empreendedores Sociais;
• Contribuir para a profissionalização, eficiência, crescimento e sustentabilidade de sua organização.
2. Empreendedorismo de Grupo - colaboração e maior impacto social
A Ashoka reúne grupos de empreendedores sociais para, em colaboração, potencializar e multiplicar ações positivas. O objetivo do trabalho em conjunto é somar competências e disseminar idéias inovadoras, tendo como perspectiva influenciar mudanças em diferentes áreas de atuação do setor social.
A atuação de forma colaborativa deriva da visão da Ashoka de que estas comunidades de indivíduos pioneiros e inovadores possuem uma força maior do que um empreendedor social atuando de forma isolada. Como conseqüência, elas podem trazer maior velocidade e impacto na transformação social.
Para estimular que seus empreendedores sociais façam intercâmbio de metodologias, princípios e necessidades em seus países e em outras regiões do mundo, a Ashoka desenvolve estratégias e ações para que os integrantes de sua rede trabalhem efetivamente de forma colaborativa e contribuam dessa maneira para a transformação da sociedade em escala universal. Além disso, procura difundir as lições aprendidas com outros grupos e organizações do setor social.
Entre os programas e ações de incentivo ao trabalho colaborativo destacam-se: Arte?
• Integração das Redes Local, Continental e Global de Empreendedores Sociais
• Projetos Colaborativos e de Intercâmbio
• Eventos Temáticos
3. Infra-estrutura e nova arquitetura para o setor social
Para ser mais eficaz, o setor social precisa ser empreendedor, eficiente e integrado globalmente, de tal forma que as melhores idéias e as pessoas que as conceberam obtenham os recursos necessários ao sucesso de sua implementação. Para tanto, é necessário desenvolver a infra-estrutura de que o setor social precisa para fomentar a inovação e a produtividade.
Esse fundamento é o alicerce do terceiro e mais ambicioso pilar que estrutura a atuação da Ashoka: o desenho e a disseminação de novos caminhos, tecnologias e programas para que os empreendedores sociais trabalhem dentro e fora da sua rede com a necessária infra-estrutura de suporte.
Com base nesse pilar, a Ashoka apóia organizações da sociedade civil a diversificar e ampliar o trabalho que realizam e dessa forma conquistar a sua viabilidade institucional e econômico-financeira no longo prazo. Além disso, traz para a sociedade civil um conjunto de sistemas que permitem aos empreendedores prosperar no setor privado, tais como serviços financeiros, concursos de planos de negócio, consultoria especializada e outros apoios profissionais, todos adaptados para as demandas específicas dos empreendedores sociais ou de organizações da sociedade civil.
Dessa forma, a Ashoka faz a ponte entre o setor privado e a sociedade civil para encorajar o fluxo de talentos e recursos entre os dois setores. Entre as iniciativas derivadas desse pilar destacam-se:
• Centro de Competência para Empreendedores Sociais Ashoka-McKinsey (CCES)
• Iniciativa Base de Cidadania
• Serviços Financeiros Alternativos
• Revista Eletrônica Changemakers (www.changemakers.org)
• Cidadania Econômica Plena
• Iniciativa Justiça para Todos
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Iniciativa Jovem Inovadora
O que é
A Iniciativa de Jovens Inovadores (IJI) é uma das Iniciativas Globais da Ashoka, com atuação em 7 países (Estados Unidos, Índia, Tailândia, África do Sul, Argentina, México e Brasil). Esta Iniciativa visa promover uma mudança na percepção da sociedade em relação aos jovens, por meio do incentivo e o apoio ao desenvolvimento do potencial dos jovens como agentes de mudança. Esta visão é respaldada pela crença de que a participação social ativa dos jovens faz com que eles desenvolvam habilidades e valores necessários para se tornarem cidadãos mais conscientes, pró-ativos e dispostos a assumir um papel de liderança, não só na sua juventude, mas ao longo das suas vidas. A IJI quer promover projetos práticos que contribuam para o fortalecimento do empreendedorismo social juvenil e para a transformação social do país e do mundo. Para isso, sustenta seus esforços em 7 princípios norteadores da sua atuação.
Os sete princípios:
A partir da observação das experiências bem sucedidas de mais de 350 empreendedores sociais que trabalham no setor do desenvolvimento da juventude e da aprendizagem em todo o mundo, a Ashoka desenvolveu uma série de princípios fundamentais para definir a atuação da Iniciativa de Jovens Inovadores. Estes princípios são, portanto, a base dos esforços do IJI para transformar a forma que a sociedade vê e valoriza as diferentes habilidades e potencialidade dos jovens, incentivando que estes se tornem atores com iniciativa e capazes de propor mudanças.
1. Jovens devem ter oportunidades e apoio para demonstrar seu grande potencial de autonomia e responsabilidade individual e coletiva. Empreendedores sociais que praticam este princípio colocam jovens em posições de responsabilidade, com papel ativo, por exemplo, quando compartilham conhecimentos ou realizam ações comunitárias, aprendendo habilidades de comunicação, liderança, tomada de decisões, entre outras importantes ferramentas para a vida.
Jovens devem ser sujeitos fundamentais no desenvolvimento local, comunitário e nacional como agentes nos processos de transformação social, por sua energia, entusiasmo, capacidade de inovação, compromisso e receptividade a novas idéias. Assim como no movimento de direitos civis e no movimento das mulheres, é preciso redefinir o papel de jovens na sociedade como importantes atores de transformações sociais.
Jovens devem ter co-autoria e ser co-responsáveis do seu próprio processo de aprendizagem. Não tratar jovens como objetos passivos de aprendizado, mas tratá-los como pessoas com capacidade e iniciativa.
2. Processos de aprendizagem de jovens devem ser contextualizados e interligados com suas realidades individuais e com seu entorno de atuação. Para que o maior número possível exerça seu direito à educação, deve-se considerar as obrigações e demandas de suas vidas cotidianas, que, muitas vezes, dificultam sua aprendizagem e sua participação na escola e outros ambientes. O dia-a-dia do sistema educativo precisa satisfazer as demandas e habilidades de jovens, de suas famílias e comunidades.
o Processos de aprendizagem de jovens devem ser agradáveis, lúdicos e estimulantes ao máximo. As atividades devem estimular seu interesse, criando vínculos por variados meios como esporte, dança, teatro, computação etc.
3. Processos e espaços de aprendizagem devem ser abertos e democráticos, incluindo atores de outras organizações, como de fora da escola. Porque acontecem em todos os ambientes, não só no escolar. Devem envolver uma grande diversidade de agentes além de corpos docentes, como as famílias, comunidades, setor empresarial, governos etc. A maior variedade de agentes deve também envolver-se na identificação do que jovens precisam aprender na escola, na suplementação de recursos, no direcionamento de programas e na busca de soluções para problemas como abandono e repetição.
4. Promover vínculos entre jovens e adultos para provocar trocas de experiências baseadas na complementaridade de perspectivas e valores. A aproximação de seus respectivos "mundos" é fundamental no desenvolvimento da co-autoria de processos de desenvolvimento de jovens, inclusive no âmbito familiar, onde todas as pessoas podem também aprender, contribuir com a aprendizagem mútua e com o desenvolvimento do potencial de jovens.
5. A diversidade é uma grande riqueza nos processos de aprendizagem e requer vínculos entre jovens de contextos e realidades diferentes. Para construir comunidades mais fortes e fomentar importantes aprendizados para jovens sobre respeito, solidariedade, cooperação e trabalho em equipe, assim como uma compreensão mais aprofundada dos problemas sociais. Por exemplo, entre jovens de comunidades economicamente privilegiadas e carentes, de meios rurais e urbanos, de diversas raças, etnias, religiões, crenças e orientação sexual.
6. Processos e espaços de aprendizagem devem incentivar uma "ética de empatia" que promova a solidariedade entre os jovens. Para proporcionarem senso de cidadania local e planetária, tais processos e espaços devem ser atravessados por valores e de empatia, solidariedade, democracia participativa, responsabilidade coletiva e respeito às pessoas.
7. Quem educa jovens deve estar em permanente formação. Esta deve estar atualizada com diversas necessidades e oportunidades de jovens e da sociedade e envolver diversas experiências enriquecedoras e alternativas de aprendizagem, maior contato com a natureza, a arte e o lúdico.
Projetos Colaborativos da IJI
Os projetos colaborativos são realizados por uma equipe de empreendedores sociais da Ashoka, que somando suas experiências, trabalham conjuntamente em um projeto de desenvolvimento de uma temática específica. Quatro projetos foram selecionados envolvendo 12 empreendedores pelo 1º Fundo Desafio da Iniciativa de Jovens Inovadores da Ashoka em parceria com o banco JP Morgan.
Este Primeiro Fundo Desafio da Iniciativa foi elaborado com o intuito de motivar a criação de projetos inovadores que visem incentivar o protagonismo social juvenil e a transformação social no Brasil. Estes projetos colaborativos começaram a se desenvolver no final de 2005 e serão completados em 2006.
Resumo dos projetos:
Projeto Estrelas-do-Mar (Empreendedores sociais envolvidos: Alexandre Só de Castro, Maurice Bazin, Cynthia Camargo e com apoio do Marcos Da-ré). Tem o objetivo de construir, de forma participativa, as necessárias ferramentas que dêem oportunidade ao protagonismo juvenil na comunidade de pescadores artesanais da Praia do Pântano do Sul, em Florianópolis, SC. A idéia é elaborar alternativas para que os jovens se fortaleçam e possam ser identificados como um grupo social que possui valor e uma importância tão grande tanto para a comunidade quanto para as próprias perspectivas de futuro que esta comunidade possui para ela mesma. Os impactos esperados são: aproximação positiva dos jovens com a "história de vida" da comunidade, consolidação de iniciativas "não pesqueiras" como uma estratégia legítima para o resgate de valores e saberes locais e valorização e reconhecimento do papel dos jovens pela própria comunidade, através dos resultados obtidos pela implantação de iniciativas "não pesqueiras" de geração de renda.
Metodologia de empoderamento social (Empreendedores sociais envolvidos: Willy Pessoa, Egídio Guerra e Marcos Bittencourt). A idéia é fomentar a criação de uma metodologia de empoderamento social juvenil para ser disseminada através da formação multi-participativa de grupos de jovens difusores sociais. Com os jovens das 3 instituições de empreendedores sociais serão trabalhados em quatro módulos (oficinas) a difusão de conhecimento e trocas de experiências. Os jovens irão disseminar os conceitos apreendidos na capacitação em suas organizações de origem, para outros grupos de jovens, escolas ou universidades. Os impactos previstos são: consolidação de uma metodologia de empoderamento social baseada na interação dos modos de atuação das três organizações envolvidas; e a formação de jovens difusores sociais prontos para a aplicação e multiplicação dos conceitos apreendidos, dentro de suas organizações e regiões de origem.
Movimento de Adolescentes do Brasil Contra o Racismo (Empreendedores sociais envolvidos: Jorge Lyra, Bel Santos e Maria Lúcia da Silva). Tem como objetivo fortalecer a representação política de adolescentes e jovens em ações públicas de combate ao racismo e de promoção da igualdade racial, étnica e de gênero. Estas atividades se baseiam em uma metodologia participativa que atribui aos jovens o espaço e a participação também construídos por eles. O trabalho desenvolvido é realizado em parceria entre educadores, jovens e adolescentes, comportando espaços de diálogo e discussão das atividades propostas. O impacto esperado por este projeto é sensibilizar e formar adolescentes, jovens e educadores para o tratamento dos temas relacionados à discriminação de raça, etnia, classe social e gênero, aprofundando e disseminando mecanismos de combate ao racismo e ao sexismo no cotidiano das instituições. Pretende, ainda, contribuir para o desenho de uma metodologia de multiplicação das aprendizagens sobre práticas anti-discriminatórias para que outros grupos possam incorporar efetivamente esta problemática.
Educação em Direito (Empreendedores sociais envolvidos: Oscar Vilhena e Conceição Paganele, em parceria com Marcos Fuchs do Instituto Pró-Bono). O objetivo deste projeto é transferir ao jovem conhecimentos específicos de diversas áreas do Direito, visando estimular o protagonismo social e a busca pela efetivação dos direitos previstos no ordenamento jurídico. Com isso, espera-se redefinir o papel do jovem na sociedade como importante ator de transformações sociais através da realização de direitos e garantias fundamentais. Com a realização das estratégias, o projeto busca produzir os seguintes impactos: conscientização dos jovens e da comunidade acerca dos direitos assegurados pela legislação; qualificação do adolescente e de sua família para que se tornem multiplicadores de cidadania; melhora nas condições de vida dos jovens por meio de cobrança ao Poder Público na efetivação de direitos fundamentais; melhora das condições de re-socialização dos adolescentes em cumprimento de medida sócio-educativa de liberdade assistida; melhora da auto-estima dos jovens; aumento das denúncias sobre violações aos direitos da criança e do adolescente; e sensibilização de atores sociais para a questão da infância e juventude.
Publicação
O livro "Jovens Transformações" é uma proposta que surge para dar visibilidade ao protagonismo juvenil como estratégia de desenvolvimento e transformação social no Brasil. A publicação está sendo elaborada a partir de experiências concretas realizadas por jovens e norteadas pelos sete princípios da iniciativa.
Essa publicação será composta por sete capítulos, correspondentes aos 7 princípios propostos pela Iniciativa de Jovens Inovadores. Cada capítulo terá um artigo de um especialista na área, Relatos de Experiências de organizações descrevendo como desenvolvem o respectivo princípio e depoimentos de jovens sobre seu envolvimento na iniciativa.
A Ashoka acredita que a publicação irá contribuir para o enriquecimento da reflexão e da prática sobre um tema que vem ganhando importância no país: a participação e o protagonismo juvenil. A Iniciativa de Jovens Inovadores da Ashoka Empreendedores Sociais deseja contribuir para que o país perceba e valorize o potencial dos seus jovens como agentes de mudança social.
O livro se destina as Fundações, Institutos e organizações que já trabalham com esta temática, além de órgãos do governo, e também aquelas que tenham interesse pelo tema, fortalecendo assim a visão de que todo jovem pode ser um agente de transformação social. Além disso, a publicação visa dar reconhecimento e inspirar a prática da participação juvenil como estratégia de transformação social no país, oferecendo, desta forma, subsídios para grupos e instituições que já desenvolvem ou gostariam de desenvolver iniciativas com jovens.
Ao todo, foram recebidas 165 inscrições de relatos e depoimentos de todo o Brasil. O Lançamento do livro está previsto para o segundo semestre de 2006.
O livro é realização de uma parceria entre a ASHOKA, através da sua Iniciativa de Jovens Inovadores, alguns empreendedores sociais que compõem a sua rede, o banco JP-Morgan e a Cipó Produções.
Membros do Conselho Editorial:
Empreendedores Sociais da Ashoka: Elie Ghanem (professor da USP), Luciana Doll Martineli (Aracati), Anna Penido (Cipó Produções), Raquel Barros (Lua Nova),
Representante do banco JPMorgan.
Célia Cruz, Diretora da Ashoka Brasil-Paraguai.
Olivia Martin, Coordenadora da Iniciativa de Jovens Inovadores.
Instituições participantes do Comitê de Seleção:
O Comitê de Seleção é formado por 21 representantes de organizações que são referência na área de juventude:
Fundação Artemísia; Ação Educativa; Instituto Credicard; Fundação BankBoston; Fundação Kellogg; Instituto Ayrton Senna; Fundação Itaú Social; Cala-boca já morreu; Save the Children UK; GIFE; Avina; Fundação Odebrecht;JP Morgan; MTV Brasil; Instituto Faça Parte; GYAN - Rede Global de Ação Juvenil UNICEF; Projeto Arrastão; Save the Children Suécia;Instituto Hedding-Griffo e Instituto DPaschoal
Geração MudaMundo
O mais novo programa da Iniciativa de Jovens Inovadores no Brasil tem seu foco voltado para o protagonismo juvenil. O projeto visa investir e promover as idéias e capacidades de jovens entre 14 e 24 anos para que eles sejam capazes de criar e gerenciar projetos sustentáveis que beneficiem a suas comunidades. Além disso, esse ciclo pretende que os jovens possam gerar transformação social de uma forma mais ampla. Também objetiva criar uma rede de empreendedores sociais juvenis que esteja integrada na sua diversidade, em esfera nacional, e que se constitua com uma identidade própria, fortalecendo assim o movimento de jovens agentes de transformação.
Saiba mais: www.geracaomudamundo.org.br
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